Arthur Luiz Piza "Modification IV" - Gravura em metal - x/99 - papel 32x25 imagem 16x12,5 - ACID

Arthur Luiz Piza  "Modification IV"  -  Gravura em metal  -  x/99  -  papel 32x25  imagem 16x12,5  -  ACID

Preço
R$ 1.300,00

Biografia

Arthur Luiz Piza (São Paulo SP 1928). Gravador, desenhista e escultor. Inicia a formação artística em 1943, estudando pintura e afresco com Antonio Gomide (1895 - 1967). Após participar da 1ª Bienal Internacional de São Paulo, em 1951, viaja para a Europa e passa a residir em Paris. Freqüenta o ateliê de Johnny Friedlaender (1912 - 1992) e aperfeiçoa-se nas técnicas de gravura em metal, água-forte, talho-doce, água-tinta e ponta-seca. Em 1953, participa da 2ª Bienal Internacional de São Paulo e obtém o prêmio aquisição. Na 5ª Bienal, em 1959, é contemplado com o grande prêmio nacional de gravura. Nesse período, começa a fazer relevos, picotando suas aquarelas e aproveitando os fragmentos em colagens sobre tela, papel, cobre e madeira. Posteriormente cria relevos de metal sobre sisal, e produz peças tridimensionais em grande escala e trabalhos em porcelana e ourivesaria. Realiza ilustrações para diversos livros, de tiragens reduzidas. No fim dos anos 1980, cria um mural tridimensional para o Centro Cultural da França, em Damasco, Síria. Em 2002, são apresentadas na Pinacoteca do Estado de São Paulo - Pesp, e no Museu de Arte do Rio Grande do Sul Ado Malagoli - Margs, em Porto Alegre, duas amplas retrospectivas de sua obra. Atualizado em 12/02/2007 - Fonte: Itaú Cultural

Críticas

"Aquele que esculpe o mármore e grava no coração mas que também imprime signos é, em latim, um 'Piza sculpsit'. Conhece-se, é certo, sua obra gravada e esquece-se que ele trabalhou a matéria e é bom reencontrar suas esculturas para compreender melhor o processo, uma mesma escrita cerrada mas fluida, firme e suave como a aurora sobre claros relevos ainda adormecidos.
Saberá Piza aonde está indo? Basta-lhe entalhar os signos para desafiar o tempo, trabalhar indefinidamente com um buril preciso, ferir a casca, animar a pele das coisas para que surja enfim na superfície da terra o longo trabalho dos abismos. Como as tabuinhas acadianas, como um novo alfabeto braille, tantas mensagens cujo significado escapa ao artista; porém, mais que o código, o que importa é a escrita em si, esse jogo extremamente limitado de signos e conjuntos constantemente retomado, até a obsessão, sem por isso implicar repetição ou monotonia. O que importa é a simplicidade táctil do estilo, o rigor de uma poesia para ser tocada, música austera da sombra e da luz. Assim Piza percorre o espaço do sonho e o entalha com suas constelações. Ele alinha seus declives brancos para a assembléia dos clarividentes".

François Mathey

MATHEY, François. In : PIZA. Arthur Luiz Piza. São Paulo: Gabinete de Arte Raquel Arnaud Babenco, 1983. s. p.


"Não é (...) o campo da representação que interessa a Piza, ele afirma apenas o que mostra, recusando-se a dar um sentido à sua obra. Esta se oferece ao olhar como experiência do trabalho, que se compõe com o fazer do artista.
Apesar de não estabelecer de antemão, com detalhe, as etapas sucessivas de seu trabalho, a gratuidade e a inconseqüência não têm vez. Fazer um pequeno relevo, depositar uma marca, não consiste em impor uma forma ao suporte, mas simplesmente apor ao suporte a forma expressa pelo instrumento que a apõe. Repetir uma forma, um relevo, não é recopiá-lo, mas fazer outro, dentro de um mesmo gesto, que difere, que determina um espaço único, definindo relevos e intervalos, sombras e luzes, tons e ritmos. Tudo se passa como se se tratasse de liberar a obra de suas obrigações expressivas, de deixá-la desdobrar-se em si mesma. Ao fugir da vertente do abstracionismo lírico, quando mantinha uma possível aproximação com a obra de Kandinsky e a de Miró, o artista optou por uma postura de caráter construtivista, porém muito peculiar, muito própria dele, pela forte entonação barroca que carrega em seu despojamento conciso e simples. A busca de ritmos inéditos, a exploração de espectros de luminosidade levam-no ao encontro de uma linguagem permeada pelo contraste simultâneo de dois planos, pela exaltação das gamas do relevo, pelo claro-escuro agônico das cores e das sombras. O barroco não está na construção minuciosa de cada detalhe, ele emerge como essência, está na substância expressiva e visceral do entalhe, no martelar violento e áspero do trabalho corporal, na luxúria exuberante e resplandecente que emana dos relevos, na variedade de entalhes que perfazem a cada instante a organização da obra, na entonação das formas que de tão vibrátil questiona o princípio geométrico de sua constituição primeira, transformando os signos visuais em celebrações de sensualidade".

Stella Teixeira de Barros

BARROS, Stella Teixeira de. Universo construtivo/inverso barroco. In: PIZA, Arthur Luiz. Arthur Luiz Piza. São Paulo: MAM; Poços de Caldas: Instituto Moreira Salles; Curitiba: Fundação Cultural de Curitiba, 1994. p. 14.


"No que concerne à edição, Arthur Luiz Piza (...) valoriza a contribuição do impressor na produção da gravura, alegorizado por ele musicalmente como intérprete de sua partitura; não é fortuito que Piza lembre o seu impressor parisiense. Tendo estudado nos anos 50 com Johnny Friedlaender em Paris, Piza pesquisa formas do oco, não do sulco, que, submetidas à pressão da prensa, produzem relevos no papel. Com martelos e buris de pontas diferentes, escava formas arredondadas, triangulares, retangulares de profundidades variadas, fazendo com que suas placas sejam o inverso do relevo. As composições de Piza evidenciam transições entre zonas de profundidades diferentes, que se interpenetram em áreas relativamente extensas, efetuando passagens, localmente quase imperceptíveis. Tais quase-formas, pois abertas e o mais das vezes geometrizadas, jogam com a luz, enfatizadas ou rebaixadas em correlação com a luz externa incidente. É o que torna possível a passagem aos relevos propriamente ditos, o que Piza faz com recurso a pedaços de cartão, metais recortados, etc. , tendendo seus procedimentos gráficos ao espaço".

Leon Kossovitch e Mayra Laudanna

GRAVURA: arte brasileira do século XX. São Paulo: Itaú Cultural: Cosac & Naify, 2000. p.19.