Eduardo Sued - A 2 - Serigrafia - x/100 - 48x66cm - x/100
| Artista | Eduardo Sued |
| Nome da Obra | A 2 - 2009 |
| Técnica | Serigrafia |
| Medida | 48 x 66 cm |
| Tiragem | x /100 |
| Assinatura | ACID - assinado no canto inferior direito |
Sued, Eduardo (1925)
Críticas
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"Pintar, como nota Merleau-Ponty, será sempre e em última instância repor a questão do sentido, estar no mundo. Investigar o corpo em suas articulações primeiras, antes de tornar-se instrumento de uma vontade. Revisitá-lo não mais como suporte do sujeito, mas como sua condição. E aí, inevitavelmente, o olhar deixa de ser o inequívoco ponto de vista do sujeito frente ao objeto para aparecer como movimento incessante, indefinido, onde se encontram e se perdem sujeito e objeto. O pintor é alguém que escolheu existir no meio desse turbilhão. Alguém que joga o próprio corpo na tarefa de 'olhar o verdadeiro olhar' - o que pôs o mundo e nos põe nele. A prática de pintura de Sued está imersa nesse questionamento fenomenológico. Não será jamais o caso de fazer um objeto, colocar uma coisa-tela na real para representá-lo ou interpretá-lo. Não há nada anterior à tela mas tampouco esta tem o poder de divulgar uma Idéia do Mundo. O que há é um processo, um lugar-problema - campo pulsante que, em meio aos objetos, parece ultrapassá-los, atravessá-los e, frente ao sujeito, possui a força de enfrentá-lo e negá-lo enquanto pura idealidade". Ronaldo Brito BRITO, Ronaldo. Eduardo Sued. In: BIENAL INTERNACIONAL DE SÃO PAULO, 16.,1981, São Paulo, SP. Catálogo geral. Introdução Walter Zanini. São Paulo: Fundação Bienal de São Paulo, 1981. p. 34. "Poucas vezes a obra de um artista brasileiro soube incorporar com tanta grandeza os dilemas e impasses da arte contemporânea como a obra de Eduardo Sued. Nunca, como hoje, os velhos elementos constitutivos da pintura depararam com uma situação tão adversa: cores que não tragam dúvida de fundo sobre a veracidade de sua aparência, dificilmente podem surgir com autenticidade; estruturas e formas precisam, a cada instante, sustar sua tendência a conduzir tudo a uma boa ordem - inevitavelmente postiça em nossos dias - sem no entanto deixar de estruturar e formalizar; formatos oscilam incertos entre sua extensão física e a dimensão sensível dos trabalhos, com verticais que não ascendem e horizontais que não repousam; e até as tintas se movem, indecisas, entre a neutralidade de simples veiculação e a insinuância do objeto. Em suma, vivemos num mundo que tornou a percepção tão problemática que qualquer compreensão unívoca ou simplesmente entusiasmada dos elementos pictóricos pode passar por ingenuidade, quando não corre o risco de ser apenas hipocrisia". Rodrigo Naves NAVES, Rodrigo. Evidência e dissolução. In. PRECISÃO: Amilcar de Castro, Eduardo Sued, Waltercio Caldas. Rio de Janeiro: Centro Cultural Banco do Brasil, 1994. p. 65 [Texto publicado originalmente no Catálogo Galeria Luisa Strina. São Paulo, 1989.] "O artista confessa que 'a escolha das cores é secreta. Elas afloram naturalmente'. Quando Sued termina uma obra, tudo está 'certo', tudo está 'correto'. Mas por baixo da calmaria aparente, a tensão criada pela combinação das cores, pela simetria fora do eixo, pela linha que interrompe, que dinamiza, que se ecoa, nos obriga a questionar, a refletir e a indagar o quadro que aparece dentro do quadro num refinado exercício de percepção. Muitas vezes parece como se a cor, na sua expansão, fosse extravasar os limites da tela, e é então que Sued cria rigorosa estrutura que a contém nos lados, no alto e na base. Coloca uma linha que compõe mas também tenciona, dinamiza (linha e cor de uma precisão quase irritante, indiscutíveis). Às vezes coloca uma faixa com tom diferente, com ritmos e silêncios diversos ou de uma outra cor que retém a expansão da anterior, que a 'engole' quando esta cor for preta". Irma Arestizábal ARESTIZÁBAL, Irma. A linha e a cor. In. PRECISÃO: Amilcar de Castro, Eduardo Sued, Waltercio Caldas. Rio de Janeiro: Centro Cultural Banco do Brasil, 1994. p. 11. "Afasta-se de um projeto racionalista puro para se aproximar cada vez mais de um exercício empírico onde ocorrem surpresas como elementos recortados, máscaras e materiais estranhos que vêm aos poucos se incorporar à pintura. Agora, os elementos que se agregam à tela chegam a um certo brutalismo. Trata-se de uma corajosa violência simbólica praticada pela linguagem dessa pintura. Primeiro, com relação à sua própria história que não cessa de questionar. E esse questionamento não se dá através de indagações evasivas, de uma interrogação pelas bordas, mas de um confronto, às vezes brutal, consigo mesma, como se estivesse sempre se perguntando sobre os próprios limites. Segundo, assinala e delimita um campo de tensão no interior da própria pintura contemporânea e suas relações com a história da arte moderna. Paulo Sergio Duarte DUARTE, Paulo Sergio. Cores como vetores de força. In: SUED, Eduardo. Eduardo Sued. São Paulo: Galeria de Arte São Paulo, 1999. p. 6-7. "Também adepto de questões construtivas, Eduardo Sued chega a um construtivismo por caminho diferente do de Lygia Pape. Afirma que Klee, Picasso e Mondrian condicionam sua percepção, permitindo-lhe entender a liberdade na aproximação das coisas do espaço, sempre suscetíveis, por isso, de reavaliação. Pensando desde os anos 40 as obras de artistas da Bauhaus, após sua volta da viagem européia de estudos em meados dos anos 50, passa a, como diz, organizar seus conhecimentos. Por isso, Eduardo Sued não se alinha com as discussões dos concretistas e neoconcretistas do Rio de Janeiro; sua direção é outra, sempre avessa a normas. Para Sued, a matemática é modelo de clareza de pensamento e disciplina aplicada à forma, o que não implica, porém, que sua produção de obras seja assistida pela mesma matemática. Sued constrói, nos anos 60, obras que classifica sob o nome 'construtivismo dialético', nas quais, como em sua obra pictórica, nega as aparências da visão". Leon Kossovitch e Mayra Laudanna KOSSOVITCH, Leon e LAUDANNA, Mayra. Abstratos-Concretos. In: GRAVURA: arte brasileira do século XX. São Paulo: Itaú Cultural : Cosac & Naify, 2000, p. 20 |
Fonte: Itaú Cultural



