Ernesto Neto "Two hearts and a body" 2010 - Serigrafia - x/100 - 30x40 - ACID

Ernesto Neto    "Two hearts and a body"   2010  -   Serigrafia  -  x/100  -  30x40  -  ACID
Promoção

De: R$ 2.270,00
Por: R$ 2.156,50

"Two hearts and a body"

Gravura editada pela Hayward Gallery - Londres - 2010 - assinada e numerada a mão pelo artista - Acompanha livro-catálogo da exposição - tiragem de 100 exemplares

Ernesto Saboia de Albuquerque Neto (Rio de Janeiro RJ 1964). Artista multimídia. Na década de 1980, estuda escultura com Jaime Sampaio e com João Carlos Goldberg na Escola de Artes Visuais do Parque Lage - EAV/Parque Lage. Realiza ainda cursos de intervenção urbana e escultura com Cleber Machado e com Roberto Moriconi, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro - MAM/RJ. Sua produção situa-se entre a escultura e a instalação. No início da carreira, sua trajetória é marcada pelas obras dos artistas José Resende (1945) e Tunga (1952), na exploração da articulação formal e simbólica entre matérias diversas. Mais tarde, passa a utilizar predominantemente meias de poliamida e outros materiais mais flexíveis e cotidianos. Na segunda metade dos anos 1990, Ernesto Neto realiza esculturas nas quais emprega tubos de malha fina e translúcida, preenchidos com especiarias de variadas cores e aromas, como açafrão ou cravo da índia em pó. As esculturas apresentam alusões ao corpo humano no tecido que se assemelha à epiderme e nas formas sinuosas que se estabelecem no espaço. No final da década de 1990, Ernesto Neto passa a elaborar as "naves", estruturas de tecido transparente e flexível, que podem ser penetradas pelo público.

"A massa do chumbo, centrada sobre a superfície elástica de lycra ou da seda, exerce uma deformação, tensiona o tecido, expandindo a força estática em direção às extremidades. A intensidade da força gravitacional é diluída na medida em que é distribuída por um campo sustentado no ar através de fios de nylon ou de algodão presos a tubos de cobre e/ou barras de ferro. Cada elemento constitutivo exerce função indispensável para manter o conjunto coeso, seja pelo poder de induzir ou sofrer alterações, seja pela faculdade de criar resistência ou canalizar energia de tração. Partindo da alteração da superfície, dá-se o acontecimento: através dos fios tracionados desencadeia-se o fluxo constante de energia vital em sentidos centrípeto e centrífugo. Tensão, força, resistência, equilíbrio são resultados de cálculos intuitivos que o artista torna possível no embate corporal com o material. A estruturação do trabalho requer movimentos precisos, pois há risco sempre presente de uma catástrofe iminente. Qualquer gesto abrupto ou mal calculado, qualquer modificação não estudada desequilibra as forças vetoriais e o trabalho pode ruir. Desfeita a tensão, o acontecimento não se concretizaria. A tensão levada ao limite, a fragilidade e a dinâmica das estruturas são comprovadas quando o trabalho é tocado. Há então um entendimento físico-estrutural da obra, onde a forma é conseqüência das necessidades funcionais e os materiais preenchem quesitos de peso, elasticidade e resistência. Diante do espectro de opções dos materiais, Ernesto Neto elege lycra e seda brancas e meias de poliamida - materiais leves e transparentes que contrastam com as barras e placas de metal compacto, e esferas maciças de chumbo de diâmetros vários. À combinação inusitada de materiais de naturezas diversas soma-se um estranhamento que aguça a sensorialidade do observador: tensionadas ao extremo, as antes delicadas tramas dos tecidos tornam-se rijas e tesas; por sua vez, as placas de ferro inclinadas em diferentes ângulos, assim como as densas barras de metal pairando no ar com pesos aparentemente anulados, e as superfícies alteradas flutuando distantes do solo criam a ilusão de leveza, em desafio às leis da gravidade. Perplexo, o observador depara-se com um acontecimento que intervém na ordem das coisas e explora possibilidades de conhecimento do mundo, subvertendo poeticamente rigorosos princípios da física". Regina Teixeira de Barros BARROS, Regina Teixeira de. Ernesto Neto. Galeria: revista de arte, São Paulo, n. 31, p. 47, 1992.

"Algumas questões são constantes desde o início da carreira de Ernesto Neto: problemas de peso e resistência dos materiais, corpos com elasticidade que se sustentam sob pressão, organismos tratados como fluxo permanente de transformação. No final dos anos 80, Neto produziu a série dos ´sacos de meia de seda´, recheados de bolinhas de chumbo, que introduziram de maneira mais marcante no trabalho o caráter da sensualidade. Manuseáveis, eróticos e fluidos, esses objetos masculinos/femininos prolongavam-se no espaço, em estados móveis e aleatórios, como corpos ativos que distendessem sua ´pele´. Na época, o artista falou desses objetos como forma de sentir sua ´própria pele´ no trabalho, como se eles, ao se reproduzirem e se multiplicarem, fossem uma extensão sua - ´pedaços de mim que proliferam´. Agora o artista vem optando por declarar, de forma evidente, a sua presença dentro da obra. Moldes de chumbo ou de gesso, reproduzindo a cabeça ou as mãos do artista, vêm trazendo para a própria estrutura do trabalho esses ´pedaços de mim´. A idéia é evidenciar os rastros do sujeito na construção do seu objeto; afirmar a presença das mãos e da mente que o fabricaram, tal qual os dedos de Rodin sobre o bronze, ao imprimir e declarar o processo de esculpir". Ligia Canongia ESCULTURA plural. Salvador: MAM, 1996.

Fonte: Itaú Cultural